A todos os relacionamentos que eu não tive, mas que tiveram por mim

Foto: @petrocinza

Ter consciência de si e enxergar-se sempre tem um preço caro a se pagar. Nunca fui de continuar em situações que não me cabem, pelo menos acreditei nisso por muito tempo. Quebrar um ciclo de abusos que me aconteceram desde a infância é mais dolorido do que parece, mas ninguém está intacto de ser pisoteado dentro de uma parte de si mesmo que já não faz mais sentido.

A inconstância que faz parte do meu ser, é a palavra-chave do meu vocabulário.

Estar em um relacionamento nunca foi e nem nunca será minha prioridade.

Me desenvolver como escritora, publicar meu primeiro livro, me formar em jornalismo e ser uma boa professora sim. A curiosidade dos outros sobre minha conturbada vida amorosa foi sempre vista como piada para mim nos últimos anos. Até começar a entender na terapia que isso é extremamente evasivo e machista, ter todas as minhas relações amorosas com homens sempre romantizadas e com mulheres também, mas com menos frequência, pois não se pode ser bissexual no Brasil até para o movimento LGBT (com ênfase nos homens gays) o B é de biscoito ao que me parece, inclusive no maior reality show da televisão brasileira.

Este texto não é uma explicação ou um debate, ou uma conversa aberta por muitos anos me coloquei aberta ao diálogo e sempre fui execrada, xingada pelas costas e a piada de muitos grupos de amigos. Por simplesmente não ter vergonha de admitir os meus erros, acertos e falhas. Se vocês não lidam bem com suas próprias contradições, se perdoam e se enxergam, não é culpa minha.

Vão fazer terapia, ler um livro ou se jogar numa aventura nova, mas por favor parem de fazer a minha vida pauta (eu não sou jornal, mas quase jornalista).

Eu sei que minha solitude assusta, ela já me assustou também, mas se vocês são vazios de si e cheios de nada, não é culpa minha.

Está na hora de olhar no espelho e se enxergar, a corda não vai arrebentar mais para o lado mais fraco, afinal ele sempre foi o mais forte.

Transformem raiva em indignação mulheres, escrevam suas próprias narrativas.

22 | Estudante de Jornalismo & Booktuber http://escritoselivros.com

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