As aparências, vivências e desavenças de não ser o que o outro deseja, mas viver na espiral de si mesmo

imagem: achei por aí
  • este texto pode conter gatilhos para ansiedade e depressão.

A quebra de expectativa é sempre uma dádiva para escritora dentro de mim que sobrevive do acaso, mas machuca demais tentar caber na perspectiva do outro sobre si mesmo. Crescer num espaço pouco confortável colabora para isso, é claro, mas é complexo demais sair dessa espiral de aparências que não são suas, apenas projeções de quem as pessoas acham que você é, mas nunca te conheceram de verdade.

Metade da minha vida está exposta em textos mal escritos, inacabados e complexos de um site chamado Escritos & Livros. Acho que a ideia de ter uma vida pública nunca me ocorreu, só me aconteceu através da minha introspecção natural e dificuldade em criar laços desde muito nova. Escrever sempre foi a parte de mim mais profunda, mas que sabotei com louvor até os meus dezoito anos quando decidi que ia escrever a droga das palavras que dançam na minha mente e não me deixam em paz por um segundo e tudo mudou.

E as redes sociais me ensinaram a criar laços e pontes, meus melhores amigos estão na internet e alguns na vida real. Mas não se engane, conheço muita gente e aquele ditado dos amigos conto nos dedos é tão real quanto as amizades que sua mãe implica e você não dá ouvidos.

Honestamente, não sei o que seria de mim sem redes sociais e aprendi quase tudo que sei por causa delas, me tornei escritora através delas e conheci uma das minhas melhores amigas que hoje é minha alma gêmea literária, comunicacional e quem me ensina a ter mais pulso firme nessa vida.

Mas elas também me adoeceram bastante ao ponto de não conseguir mais usar meu celular no modo vibratório sem ter uma crise de ansiedade.

As redes sociais em tese são feitas para criar pontes, na sua ideia mais simplória e ilusória de quem vende um bom marketing, mas esquece que estamos sobrevivendo ao sistema capitalista e nada se torna ileso ou passível de não adoecer o outro psicologicamente.

E sim, foi assim que no ano passado descobri a depressão. Assim como, construí pontes aleatórias com pessoas do meu curso escrevendo sobre ansiedade e que provavelmente nunca conversaria, já existe um grande mito que sou uma militante inalcançável, escritora fajuta e me acho demais.

Me divirto demais com esses rótulos, pois eles não tem nada a ver comigo. Basta cinco minutos de conversa para que te conte minha vida toda e isso assusta todo mundo. Aprender a crescer sem filtros, fez de mim mais real que o filtro de busca do google ou de quando a polícia da língua portuguesa acha meus textos adolescentes antigos e sofridos sobre amor numa perspectiva preocupante, acha que conhece quem é Andresa.

Sendo brutalmente honesta mais uma vez nem eu me conheço cem por cento, espero descobrir sempre novas faces de mim que sirvam para melhorar ou descartar. Ninguém está ileso de ser a mesma pessoa para sempre.

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Bom, esse texto era só uma resposta para a disciplina de Leitura e Produção de texto da Universidade, mas acabou se tornado e se encontrando, espelhando e se doando em proporções tão grandes que nem sei mais o que ele se tornou.

Acho que uma crônica.

22 | Estudante de Jornalismo & Booktuber http://escritoselivros.com