Carta para a minha criança interior.

Querida Andresa, sei que provavelmente você deve estar ocupada lendo um gibi ou só irritando seu colega de turma ensinando a tarefinha para os outros colegas já que não consegue parar quieta e ele odeia que você seja assim.

Sei que isso te intimidou por muito tempo e especialmente a fugir de si mesma, se fechar numa conchinha com medo de que sua personalidade incomode as pessoas, mas um segredo vai continuar incomodando, especialmente a sua mania de questionar tudo (continue, provavelmente você vai escolher o jornalismo um dia por isso).

Gostar de reescrever contos de fadas, ter diários e passar horas criando personagens que não saem da sua cabeça vai te transformar em uma escritora também. Mas suponho que você já sabe disso, quando não conseguir mais desvincilhar da escrita vai criar um site, fazer grandes amigos virtuais e escrever suas próprias narrativas (espere para tirar do papel, mas continua nas fanfics é muito legal).

A sua versão adulta fez as pazes com a criança interior na terapia há três anos e parou de se perguntar se você tem orgulho de si mesma ou do que está se tornando. Claro que tem, entender a sua jornada e o motivo de estar aqui vai ser muito mais fácil quando pegar mais leve consigo mesma.

Aprendemos tantas coisas, crescemos muito e perdemos algumas pessoas no meio do caminho, seu avô foi uma delas e você soube lidar do seu jeito. Tenho certeza que a asma largou seu corpo de uma vez e nunca mais precisou pisar em hospitais que odeia a não ser para consultas rotineiras.

Com amor, a sua versão adulta e mais corajosa (eu tento).

22 | Estudante de Jornalismo & Booktuber http://escritoselivros.com

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