Casas, isso mesmo no plural como o disco do Rubel.

Casas, isso mesmo no plural como o disco do Rubel.

Já tive duas em Campina, mas nenhuma que me marcasse tanto e onde de fato sentisse que tinha um lar depois de muito tempo sem me sentir nem parte, nem pedaço e nem conjunto de nada.

O apartamento 102H no condomínio Dona Lindu de gente complicada, briguenta e meio maluca (que um dia com certeza um dia vai virar personagem nos livros) me deu a certeza que cada pedacinho do mundo pode me deixar a vontade com as pessoas certas, conversas de madrugada e um colchão inflável. Boas memórias, lembranças gostosas de se contar por aí, um lugar que apesar de tudo que se passou jamais caberia espaço para mágoas, só saudades.

Casa 84, na rua prefeito Antônio Luiz Coutinho, perto do Assaí e por trás da secretária de saúde. Lugar onde escrevi minhas histórias de madrugada, onde cheguei só quando dia amanheceu e fiz festas memoráveis. Pendurei fotos e quadros na parede. Onde quase furei a parede e pendurei uma rede de madrugada, mas acabei desistindo a gente nem tinha furadeira mesmo.

Poucos lugares fazem a gente se sentir em casa, normalmente só me sinto assim em livrarias, mas a primeira vez que fui na Nobel até que me senti confortável, porém olhei pela janela e não era a Livraria Cultura no Paço Alfândega (que nem existe mais em Recife, agora é a Livraria Jaqueira).

Sei lá, é difícil gostar de outro lugar fora da minha bolhinha de conforto, mas na livraria Nobel tentei um pouco e até consegui encontrar algum conforto. Então, ali sentada no café ao pedir um cappuccino, esperando que a bebida quente me ascendesse a vontade de morar aqui de novo.

Mal sabia eu que naquelas férias de julho de 2019, Campina Grande só não estaria mais presente em todos os meus pensamentos do que parque do povo.

Escrevi tantas histórias, chorei, corri e vivi plenamente bem, nem sempre feliz, mas nem sempre triste. Naquela casa, retomei o gosto e a vontade que alguém precisa para levantar na manhã seguinte e ser tornar melhor, era natural.

Nem mesmo as palavras mais bonitas que escrevi seriam capazes de enumerar as coisas que queria ter vivido ali de novo.

saudades, casa 84.

você foi minha certeza escrita em giz de cera.

minha força, meu amparo, minha morada

como diria Rubel

não me deixa esquecer

que o melhor lugar do mundo é aqui, agora!

Referências musicais:

Ouçam, casas!

https://www.youtube.com/watch?v=IDY-4_eTPuY

22 | Estudante de Jornalismo & Booktuber http://escritoselivros.com

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