Chuva, memória afetiva e saudade.

Desde que cheguei Recife só chove, o que é bem estranho já que a cidade costuma ser quente como o inferno. Observar a chuva do terraço da casa da minha mãe, deitada na ter do meu pai é um experiência sensorial para os finais de unidade de junho do ensino médio em que eu tentava aprender matemática, mas meu cérebro apagava toda e qualquer informação que fosse relacionada a números.

Nos textos que escrevi no meu antigo computador que ligou esses dias, enquanto ouvia música e falava sobre como o amor me quebrou, meu romancinho adolescente da época devia ser um otário de acordo com o texto que escrevi sobre ele. Escutar Vanessa da Mata também me lembra uma época muito boa, um carnaval na verdade em que vi um show dela com a minha melhor amiga, Tatiana. Cantávamos e gritamos na grade em frente ao palco. Cantava vermelho a plenos pulmões ardendo com os labios pintados como diz vovó, daquela cor que virou minha marca com o passar dos anos pelos tons diferentes de batom vermelho que já usei e encontrei para vender nas farmácias da vida.

Quando tocou ilegais, tive aquela vontadezinha de viver um romance de novo com a garoa fina que caia, a chuva forte que cai agora o cheirinho de terra molhada, o doce gostinho de memórias afetivas dançando na minha mente. Meu livro continua aberto no kindle, escolhi amado para a fila e começou a tocar. Naquele mesmo show foi a primeira vez que ouvi essa música sem chorar ou sentir que meu coração se partia no peito. Ela tem uma história engraçada e trágica como a maioria dos meus romances.

Era 2015, tinha acabado de levar um pé na bunda do garoto pelo qual estava apaixonada porque ele ainda estava apaixonado pela ex (eu tenho um karma de me envolver com gente que não esqueceu o/a ex) era um capítulo de malhação 2014, vulgo Pedro e Karina com o Rafa Vitti e a Isabela Santoni. A Emanuelle Araújo tocou essa música no piano sabe, sempre tive uma relação afetiva gostosa com esse instrumento, um dia aprendo a tocar de verdade (um crush na atriz também). Faltam dois dias pro meu aniversário, o coração partido e uma garotinha que se olhava no espelho sem gostar do que via, pois tinha destruído seu cabelo natural com chapinha se sentiram muito acolhidas por aquela canção. Ouvir ela se novo com Tati que além de cupido daquela relação me ouviu chorar as pitangas até o fim dos meus dias… foi além de especial como conectou nossa amizade em muitos níveis e além de chorar juntas, gritamos e ganhamos água do segurança do palco que provavelmente nós achou duas adolescentes malucas. Éramos naquela época, mas hoje ainda somos melhores amigas, adultas e separadas em países diferentes, mas é como tem escrito no marcador que ela me presenteou “uma amizade verdadeira é como uma alma em dois corpos”.

Recife sempre me enche de saudade de tatinha.

22 | Estudante de Jornalismo & Booktuber http://escritoselivros.com

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