Livro: Eu estou pensando em acabar com tudo. foto: eu

Recife, 26/09/2020.

23h16

“Andresa é um passarinho, gosta de voar, não sei como ela consegue não estar no mesmo lugar.”

Querido vovô,

ouvi esses dias que sou um passarinho e esbarrei numa arte no insta alguns dias que tinha um sabiá. Lembro que você gostava de dizer que eu era sabida como um sabiá, porquê gostava de estudar (tudo que não envolvesse números) a astrologia veio assim, a psicologia também e gosto por livros logo depois dos gibis.

A vida continua presa no paradoxo pandêmico por aqui, o novo normal estampa jornais, revistas e telejornais que noticiam todo tipo de desgraça diariamente (não sei se a vida sempre foi assim ou se eu que ando triste, mas penso que deve ser um pouco dos dois). Não consigo mais assistir um jornal em paz depois disciplina de telejornalismo, faço esqueletos mentais, enxergo as estruturas narrativas, as referências das aulas e até que meu desejo de trabalhar com produção aumenta um pouco, não sei se na televisiva, mas com certeza cinematográfica.

Alguns capítulos foram reescritos por aqui e outros se repetiram, mas penso que aprendi o tempo de dar uma pausa nas coisas. Me respeitar e ter autocuidado não vem sendo uma tarefa gostosa, mas raramente é para uma mulher viciada em acumular trabalho como sou (me esforçando para não ser mais, prometo mudar). Fechei algumas páginas, encerrei alguns ciclos e estou finalmente fechando o esqueleto de novos projetos que não tenho vergonha alguma de fazer, inclusive me divirto bastante errando neles (finalmente aproveitando a jornada, pois é). Vi o mar de novo, estava precisando respirar o aquele ar fora do meu quartinho e sem a ansiedade do celular apitando com mensagens repetidas de gente que honestamente está tão mal quanto eu, mas ainda tem alguma força que já perdi pelo meio do caminho por isso decidi recomeçar, ver a vida de novos ares e me sentir mais útil para mim mesma (não ser mais minha própria inimiga, fazer as pazes com a escritora romântica também e deixando os poemas preencherem o papel).

Escrevendo pelos cotovelos e deixando a tristeza em forma de palavras no papel, escrevi mais do que pretendia e espero que todas essas palavras ainda caibam numa folha.

Com amor, Andresa.

p.s. fiz uma tatuagem nova.

22 | Estudante de Jornalismo & Booktuber http://escritoselivros.com