Trident de canela & supermercados na pandemia

leia ouvindo: Santana- Rubel

imagem: eu mesma

Querido vovô,

Fui ao mercado ontem e ainda continuo estranhando esse bairro… sei lá ando sentindo que essa cidade não me cabe mais e nem sei se coube um dia. Talvez seja a ideia de ressignificar meu próprio espaço que por mais que tente diariamente, ainda parece longínquo demais para mim (me sentir confortável no lugar que cresci?) muitas memórias saudosas e dolorosas para uma escritora que por mais que odeie títulos, está aprendendo a lidar com eles de uma vez por todas (eu prometo amigos! estou tentando (:)

Por mais que escrever seja minha catarse, não tenho conseguido escrever uma linha se quer (que ache confortável colocar no mundo). Deixar que as pessoas leiam o que criei ainda é bem complicado, a aula de escrita parece estar ajudado, espero parar de sentir que alguém vai puxar meu tapete e me chamar de fraude. Não te escrevi no dia dos pais vovô, foi bem difícil por aqui lidar com tantas emoções conflitantes ao mesmo tempo, seu filho é uma pessoa profundamente complicada, psiciano demais e eu não sei se tenho vidas o suficiente para aguentar certas atitudes.

Tentei dormir para esquecer os problemas e quem sabe descansar, mas meus vizinhos sustentaram um karaokê até mais de 23h da noite, então a manhã de descanso até o meio-dia não serviu de nada (vizinhos da casa 84, agora sei porque vocês odiavam minhas festas de final de período). As aulas remotas começaram e sigo bravamente tentando regular uma rotina e tem médio funcionado, já perdi a hora por dois dias e acordei minutos antes da aula? É claro que sim, como boa tauriana gosto de dormir e procrastinar até o último minuto do meu dia, é uma arte que sempre vou dominar (embora eu deteste quando faço isso).

Não consigo mais te escrever no diário, não parece mais caber, acho. Algumas coisas por mais que sejam lembranças só minhas suas como o trident de canela (seu chiclete favorito e cheiro do seu carro) e que encontrei no mercado ontem (comentei com a minha mãe sobre isso e ela agiu como se isso não se importasse, mas você sabe sempre gostei de detalhes seja nos meus devaneios amorosos ou nos detalhes diários do cotidiano que ponho nas minhas histórias), meus olhos se encheram de lágrimas e tenho certeza que o rapaz do caixa ao lado pensou que era maluca, mas quem se importa?

Bom, a minha aula de escrita está acumulada já que faltei na semana passada preciso assistir e tenho um texto de tinta e seis páginas o outro de dezesseis (pelo menos um deles é de Erbolato, o que lembra que ainda não mandei meu artigo para minha orientadora rs)

amo você vovô,

com amor e muitas saudades

Andresa.

22 | Estudante de Jornalismo & Booktuber http://escritoselivros.com

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